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terça-feira, 27 de abril de 2010

Séries mostram a força da dramaturgia Global

Tentei pesquisar, mas nem assim consegui chegar a uma conclusão satisfatória, o fato é que há muito tempo a Rede Globo não acerta tão em cheio em suas séries como neste 1º semestre de 2010, algo louvável para uma emissora cuja prioridade máxima é a produção de novelas e um sinal de que esse formato parece ganhar força também nas emissoras brasileiras e não apenas entre o público.

Ter uma grade de programação não é fácil, ter vários produtos de um mesmo formato na grade e manter a qualidade é ainda mais difícil, tanto que a própria Globo não consegue sempre manter três novelas de qualidade no ar, que é o carro-chefe de sua dramaturgia, portanto, colocar no ar 05 séries de qualidade simultaneamente no ar é uma tarefa para herói, e a emissora conseguiu.

A começar pelo domingo em que SOS Emergência vem tendo a árdua tarefa de recuperar a tradição do público de assistir uma série de humor após o Fantástico, tradição essa que durou muitos anos com o excelente Sai de Baixo. Após uma estréia apenas morna, o programa se recuperou no segundo episódio e teve no seu terceiro episódio o melhor momento até aqui. Nem de longe a série é o melhor produto da emissora, mas vem crescendo, encorpando, ganhando cara própria e mostrando que tem a capacidade de fazer o público rir e prender muita gente diante do televisor.

Na terça é a vez da melhor produção brasileira da atualidade, Força-Tarefa que já teve uma primeira temporada muito interessante, vem provando nesta segunda temporada que o Brasil tem capacidade de produzir uma série policial com qualidade comparável às gringas. Roteiro impecável, bem pensado, profundo e evitando os clichês e lugares-comuns que esse tipo de formato costuma carregar, a série é a melhor coisa da TV brasileira em 2010 até o momento, destaque para a excelente atuação de Murilo Benício que cresceu muito com sua personagem.

Quinta-feira é dia de A Grande Família. Uma série que está a 10 anos no ar e ganhando prêmio atrás de prêmio diz por si própria o tamanho de sua qualidade. Um dos melhores roteiros da TV brasileira, episódios divertidos, dramáticos e envolventes, além de diálogos dos mais ricos da TV. Elenco forte e que resiste ao tempo, prova da qualidade do protudo e que faz o telespectador torcer para que continue por muitos anos.

Ainda na quinta surge uma deliciosa novidade. A Vida Alheia, produção de Miguel Falabella e que teve em seu episódio piloto uma amostragem fraca do que seria a série. A partir do 2º episódio não deixou a desejar e já prendeu o público, chamou a atenção do telespectador por ser uma das poucas séries brasileiras a seguir o formato de sucesso americano. O formato contínuo, ou seja, apesar de ser dividida por episódios semanais e com uma história que começa e termina ali, os episódios são interligados, continuados e tem uma história linear muito interessante. A cada quinta-feira mais o público quer assistir porque a história cresceu, ficou forte e atraente.

Na sexta-feira surge a melhor série de humor desde Os Normais. Não à toa a produção é também assinada por Fernanda Young, o que significa muito neste caso. Separação não é apenas uma boa série de humor, é um produto dos mais divertidos, levando o telespectador a alguns momentos de gargalhadas histéricas, coisa que poucas séries conseguem em qualquer lugar do mundo. Roteiro escrachado, situações bizarras e absurdas e atuações fortes e malucas marcam a série, ou seja, uma mistura que tinha tudo para dar errado e deu muito, muito certo.

Com um primeiro semestre destes fica a pergunta: como a Globo vai conseguir manter este nível alto que ela mesmo se colocou no 2º semestre? Não é uma tarefa fácil e as produções que substituirão estas séries terão o árduo trabalho de tentarem manter o nível. É ver para crer.

Por: Daniel César

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Força-Tarefa: Os Justiceiros - parte 2

Este texto contém spoilers sobre o 2º episódio da 2ª temporada e pode ser prejudicial a quem ainda não viu, se for o seu caso, evite o post.

Se a primeira parte do episódio de Força-Tarefa já havia sido de tirar o fôlego e um dos melhores episódios já produzidos na TV brasileira, a continuação, exibida nesta última terça-feira não deixou por menos e fechou a complexa história e cheia de meandros de forma muito interessante, surpreendente e, como quase sempre, sem propriamente um final feliz.

Ainda tentando provar sua inocência, o tenente Wilson (Murilo Benício) chegou a identidade do assassino dos policiais corruptos, era seu colega Genival, que também trabalhava na Corregedoria. Mas Genival não matava os policiais por matar, nem para incriminar Wilson, ele tinha um objetivo muito "maior", uma missão, algo organizado. Ele fazia parte de um grupo de policiais inconformado com a corrupção na polícia e, que juntos, decidiram fazer justiça com as próprias mãos, limpando a corporação deste tipo de policial, matando-os.

Tenente Wilson, inclusive, foi convidado a participar do grupo e esteve presente na reunião em que havia a orientação para dar cabo com a vida de um capitão, que havia sido flagrado negociando com traficantes de uma favela. Mesmo sendo frontalmente contra o Grupo de Extermínio montado pelo própria polícia, Wilson não se manifestou, pois tinha um grande carinho por Genival e queria ajudá-lo a enxergar o erro. "Será que vocês não entendem que fazendo isso estão se tornando tão criminosos quanto eles?" essa frase de Wilson mostra claramente a honestidade e o equilíbrio de uma personagem complexa, muito estruturada e bem estabelecida por Murilo Benício, melhor ator de 2010 até o momento e também a impressionante qualidade do roteiro.

Neste ínterin, o tenente se reecontra com a namorada, Jaqueline (Fabiula Nascimento) que já está grávida de alguns meses e com barriga. Jaqueline começa a sentir os problemas de uma gravidez de risco e toda a situação do namorado a deixa ainda mais nervosa e coloca em risco a sua vida e a da criança. Isso é suficiente para reaproximá-la de Wilson.

O desfecho do episódio é espetacular. O Grupo de Extermínio mata o tal capitão corrupto para, só depois do crime descobrirem que ele não era corrupto, o que deixou muitos policiais do grupo sem saber o que pensar. O líder do grupo considerou o tal capitão assassinado como um "mártir", um erro que acontece em toda revolução, porém dois entre o grupo não concordaram e quiseram sair, o líder então os ameaçou de morte.

Foi aí que Wilson e a equipe da corregedoria entraram em ação, invadindo o local, após o tenente que estava na reunião, atirar no líder, e deram voz de prisão a todo o grupo. Porém, quando o tenente atirou, o líder do grupo também, e atingiu Genival que não resistiu e morreu. Mostrando um desfecho surpreendente para um episódio complexo, muito bem escrito, e fechando todas as lacunas, ligando os pontos e tornando "Os Justiceiros" o melhor episódio de Força-Tarefa e também o melhor episódio entre as séries brasileiras.

Além de Murilo Benício, o grande destaque deste episódio, é preciso frisar, foi Fabiula Nascimento que roubou a cena em suas aparições, mostrando maturidade e compondo Jaqueline exatamente como era necessária, deixando o público na torcida para que dê tudo certo para o casal. E isso não é tarefa fácil para uma personagem fazer em uma série policial. Parabéns a ela e a toda a equipe. E fiquemos felizes, o Brasil é capaz de produzir uma série policial tão interessante quanto as estrangeiras.

Por: Daniel César

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Força-Tarefa "Os Justiceiros - parte 1"


Este texto contém spoilers sobre o 2º episódio da 2ª temporada e pode ser prejudicial a quem ainda não viu, se for o seu caso, evite o post.

Se o primeiro episódio da 2ª temporada de Força-Tarefa já havia mostrado grande avanço em relação a toda a 1ª temporada e também que os roteiristas, diretores e elenco estavam dispostos a colocar a série num patamar bem acima de qualquer outra produção nacional, o 2º episódio, exibido na última terça-feira, mostrou algo mais, que Força-Tarefa é melhor, inclusive, que muita série estrangeira.

Num episódio que se iniciou de forma confusa, com a equipe do tenente Wilson (Murilo Benício) assistindo a um julgamento de um policial acusado de repassar armas para criminosos e sendo inocentados porque a única prova foi colhida por meios ilegais, a trama foi ficando cada vez mais confusa no primeiro bloco, mostrando o tenente num conflito interno impressionante, obcecado pela prisão dos "companheiros" policiais e sem saber como agir em sua vida pessoal.

Tudo começa a ficar pior para ele quando, enquanto vigiava a casa de um dos policiais corruptos inocentados, ele presencia o assassinato deste policial, entra na casa para tentar ajudar e acaba sendo visto com arma na mão pela esposa da vítima que o acusa de assassinato. Wilson é então afastado de suas atividades, mas continua obcecado, perdido e não aceita ajuda de ninguém, todos os seus colegas percebem o quão conflituosa está sua vida - e realmente está, pois além de saber que um filho que nunca quis está a caminho, isto está fazendo ele perder a mulher que ama - não adianta, ele se fecha em seu mundinho e tenta descobrir tudo sozinho.

Mesmo diante da desaprovação de todos, Wilson tenta provar sua inocência, mas cada vez se afunda mais e vê sua prisão ser decretada. Ao tentar fugir, dois policiais corruptos que ele tentou prender, mas que também foram inocentados, chegam antes e conseguem dar a ele voz de prisão. Mas a intenção não era levá-lo a cadeia, mas sim matá-lo, porém, no exato instante da execução, novamente os dois policiais são assassinados a sangue frio por alguém que foge sem deixar rastros.

Wilson sabe que sua vida está em risco e sabe também que estão armando para que ele seja acusado de matar 3 policiais, só precisa descobrir quem. E quando descobre é exatamente o ponto em que o episódio acaba.

Um episódio assim mostra muita maturidade por parte dos roteiristas e foi muito bem conduzido pelo diretor, o que comprova que a equipe de Força-Tarefa está extremamente afinada. Os episódios mais superficiais - que também eram bons - da 1ª temporada foram deixados para trás e tramas complexas estão sendo desenvolvidas nessa temporada, além de um crescimento complexo no psicológico de Wilson e de outras personagens. Murilo Benício cada vez mais está roubando a cena e convencendo muito no papel, inclusive, entre todos os atores que tiveram algum trabalho em 2010, em dois episódios, Murilo Benício já foi melhor que todos.

Um episódio assim faz de Força-Tarefa uma série muito acima de qualquer expectativa criada em torno dela, principalmente ao se analisar que trata-se de uma série brasileira, país com imensa tradição em folhetins e quase nenhuma neste tipo de formato. "Os Justiceiros - parte 1" foi, sem sombra de dúvidas, o melhor episódio que Força-Tarefa já viu e um dos melhores que a TV brasileira já produziu.

Por: Daniel César

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Pra que séries estrangeiras quando se tem Força Tarefa?

Estreou nesta terça-feira a segunda temporada da série Força Tarefa, da Rede Globo. Após um ano dinâmico, interessante, mas com a impressão de que sempre faltou alguma coisa em cada um dos episódios, a emissora divulgou que daria mais espaço para as cenas de ação, para as situações complexas e, principalmente, daria mais 05 minutos de exibição para a série.

Um acerto e tanto. A episódio de estréia da série mostra um texto mais caprichado, situações cheia de ações - não necessariamente com tiros desnecessários - e cenas fortes, como todo público deste segmento procura. Em determinados momentos do episódio não se tinha a impressão de estar assistindo a um programa da Globo. Expressões populares cheias de palavrões povoaram o episódio, afastando as falas do tal Padrão Globo, mas a aproximando e muito da realidade das personagens vivendo aquelas situações.

Desde a primeira temporada já se sabia que Força Tarefa era a melhor série policial brasileira já produzida, isso era indiscutível. Porém, o primeiro episódio da segunda temporada traz uma análise ainda mais surpreendente, ela começa a se aproximar do padrão americano de se produzir séries policiais - e olha que o padrão de lá é alto para este formato.

O que se viu neste episódio não foi apenas um texto impecável de Fernando Bonassi e Marçal Aquino, mas também uma direção correta e caminhando para o trilho certo feita por José Alvarenga Júnior. O elenco de Força Tarefa melhorou bastante e, para variar, o destaque do episódio continua sendo Murilo Benício que, cada vez mais, assume com maestria o papel do policial durão e todo certinho. Tenente Wilson voltou ainda melhor.

É preciso calma e não se empolgar muito. Um episódio é pouco para definir o nível da 2ª temporada. Os números prévios apontaram para liderança de Força Tarefa com 17 pontos de média no arredondamento. Numa noite em que o SBT colocou um de seus maiores filmes, A Hora do Rush 3 e a Record manteve Bela a Feia até as 23h17 - quase 25 minutos disputando com a série - com um capítulo que muitos esperavam, a liderança representa muito, principalmente se lembrarmos que houve mudança de data, no ano passado, Força Tarefa ia ao ar na quinta e não na terça.

SBT e Record não têm produções suficientes para combater Força Tarefa todas as terças e, pelo nível do episódio, é certo que a audiência vai crescer, mesmo assim, a estréia ficou apenas 1 ponto abaixo da meta estabelecida pela Globo para o horário, nada mal para uma estréia tão disputada.

Muito mais importante que os números apresentados pela audiência, é saber que finalmente o Brasil foi capaz de produzir uma série policial interessante, sem ser fake e também sem exagerar. Nós merecemos, afinal.

Por: Daniel César