Se o primeiro episódio apresentou personagens e mostrou um mapa da história que seria contada, o segundo episódio mostrou uma veia diferente do autor que, ao contrário de todos os outros trabalhos, optou por uma narrativa mais lenta, porém muito mais aprofundada e complexa. Ao terminar o episódio desta semana o telespectador ficou com uma certeza: não é fácil entender a construção narrativa de A Cura.
Além disso, a história que corre paralelamente e mostra um personagem mau e que vive em outra época, porém na mesma cidade, torna tudo mais complexo. Afinal, qual a ligação entre ele e os dias atuais, onde de fato ocorre a história? Em que ponto da história as narrativas se encontrarão e formarão o elo? Essa é a pergunta que não sai da cabeça do telespectador e mantém o interesse constante pela história que é novidade no mundo das séries e um chamariz muito inteligente.
Não se pode abandonar ainda a interpretação de qualidade de todo o elenco. Se em 2009 a Globo surpreendeu ao mostrar uma série com formato teatralizado e um elenco perfeito com Som e Fúria, em 2010 a qualidade de elenco se repete em A Cura com todos muito afinados, inclusive o excelente elenco de atores mineiros. Porém, destaque mesmo para Selton Melo que vem fazendo um trabalho extraordinário, acima de qualquer comparação no ano.
A profundidade de A Cura a distancia completamente do modelo de dramaturgia da TV brasileira. O público foi acostumado a narrativas simples e histórias rasas, portanto, pode ocorrer que alguns telespectadores se afastem confusos. Porém, é esta a profundidade que falta para a TV e que leva muitos espectadores a procurarem produtos importados como as séries americanas. E em matéria de profundidade, complexidade e roteiro bem amarrado e intrigante, A Cura não fica atrás de nenhuma delas.
Por: Daniel César
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